Os números alertam, sobretudo, para a necessidade do fortalecimento das políticas de prevenção e da rede de assistência às vítimas. Somente no primeiro semestre de 2018, o Disque 100 contabilizou 326 registros de violência sexual contra crianças e adolescentes cometidos no Ceará, média de 54 por mês.


Dessa incidência, os abusos sexuais lideraram as ocorrências, com 245 registros no mesmo período, o equivalente a 75% do total.


Os casos de exploração sexual aparecem como a segunda prática mais cometida, com 71 casos apurados entre janeiro e junho do ano passado, seguido da pornografia infantil, com 7 ocorrências. Os dados são do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH).


Em todo o ano de 2017, o canal recebeu 780 denúncias oriundas do Estado, que resultaram no registro de 879 práticas de violência, sendo 627 por abuso sexual, 195 por exploração sexual e 19 por pornografia infantil. Os números alertam, sobretudo, para a necessidade do fortalecimento das políticas de prevenção e da rede de assistência às vítimas.


Pontos esses reforçados em todo o país neste sábado (18), Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.


Grande parte dos casos, no entanto, tende a ficar de fora das estatísticas oficiais. Segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), somente 10% dos casos são notificados no Brasil. Para Dillyane Ribeiro, assessora Jurídica do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) no Ceará, a ausência de um sistema integrado entre os órgãos no registro dos casos é uma das principais dificuldades enfrentadas.


“Se você perguntar para os conselhos tutelares eles têm um número, se perguntar para a saúde tem outros números, ou para o Disque 100, para os órgãos de segurança púbica.


Por não ter um sistema integrado a gente não tem como saber se são os mesmos casos, se eles se repetem, se são novos, então temos essa dificuldade no acesso à informação pra gente compreender, inclusive, a magnitude do fenômeno”, comenta.


Educação Na perspectiva da prevenção como um dos principais meios de enfrentamento aos casos de violência sexual, o trabalho educacional referente ao tema passa por dificuldade - especialmente nas escolas- segundo aponta Ribeiro, motivada por discursos conservadores que tornam a sexualidade um tabu.

 “Quando a gente fala de violência sexual a grande estratégia para a prevenção é a educação sexual e reprodutiva. A partir do momento que certos grupos tentam barrar esse tipo de discussão nas escolas, que são grandes espaços públicos onde crianças e adolescentes participam, você está na verdade silenciando muitos casos que poderiam vir à tona ou serem prevenidos”, alerta.


Denúncias As denúncias de violência sexual podem ser feitas gratuitamente ao Disque 100 e o usuário não precisa se identificar.

O canal nacional funciona diariamente, 24 horas. A denúncia é analisada e encaminhada aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos, respeitando as competências de cada órgão. Os casos também podem ser denunciados diretamente nos conselhos tutelares. Com informação do G1

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